O brigadeiro inocente no pires errado
O café estava perfeito. A poltrona, impecável. O atendimento, milimetricamente desenhado para me fazer sentir em casa (ou melhor, em uma elegante maison francesa).
Mas ali, apoiado no pires, estava ele: um brigadeiro. Inocente, saboroso, um clássico brasileiro que todos amamos. No entanto, ele carregava um ruído: uma forminha de papel comum, dessas que lembram festas de domingo e balcões genéricos.
Não se trata de "frescura". Trata-se de coerência.
Quando uma marca internacional traz seu DNA para o Brasil, a hospitalidade precisa ser uma tradução, não uma improvisação. Se a grife respira a sofisticação da pâtisserie francesa, por que o acompanhamento do café não segue a mesma linha editorial?
O luxo (ou a alta experiência) é uma construção sensorial contínua. Quando um elemento destoa do cenário, o encanto se quebra por um instante. É o que chamo de "ponto cego da experiência".
O brigadeiro não tem culpa, mas, em um ambiente onde cada detalhe é estrategicamente posicionado para comunicar valor, até a forminha de papel conta uma história. E, às vezes, ela conta a história errada.
Onde está o "brigadeiro no pires errado" do seu negócio? Aquele detalhe que você acha que ninguém nota, mas que está silenciosamente desalinhado com a sua marca?



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